A felicidade
A felicidade é um tema muito caro para mim! E sabendo da sua importância e da ânsia de muitos em encontrá-la tenho pesquisado acerca da mesma! Assim encontrei uma publicação de uma revisão da literatura realizada por três psiquiatras (Renata Barbosa Ferraz, Hermano Tavares e Mónica L. Zilberman), em 2007, que vem trazer mais entendimento sobre a felicidade.
Os autores referidos começam por a definir a felicidade como um estado emocional positivo, com sentimentos de bem-estar e prazer, associados à percepção de sucesso e à compreensão coerente e lúcida do mundo.
No seguimento veremos de que forma os aspectos sociodemográficos, culturais e psicológicos bem o otimismo, resiliência e as emoções positivas interferem na felicidade.
A nível dos aspetos sociodemográficos e culturais foi estudado que quando satisfeitas as necessidades básicas (inclui a comida, água e saneamento básico), o aumento do poder aquisitivo não aumenta os níveis de felicidade, uma vez que cria indivíduos mais tensos e que não dedicam mais tempo a atividades prazerosas.
No que diz respeito à saúde física verifica-se que estados psicológicos negativos levam a uma fragilidade desta ( enfraquecendo o sistema imunitário). Já os estados positivos podem protegê-la. Deste modo deve-se substituir emoções negativas por positivas pelo efeito terapêutico e preventivo.
As pessoas religiosas e espirituais tendem a possuir maiores índices de felicidade e satisfação com a vida enfrentando melhor os acontecimentos adversos (como o desemprego, doenças ou luto) pois, a nível da espiritualidade, encontram o sentido e um propósito de vida e, a nível religioso, sentem-se menos solitários por participarem nos ritos.
Os índices de felicidade costumam ser relativamente estáveis ao longo tempo. Estes dependem menos dos acontecimentos externos do que se pensa (mesmo os dramáticos como ficar tetraplégico ou extraordinários como ganhar um prémio da lotaria). Os eventos bons ou ruins afetam intensamente as pessoas porém estas tendem a adaptar-se rapidamente retornando a um nível de felicidade estável e semelhante ao que era previamente.
Quanto à idade, ao género e ao estado civil , estes não se correlacionam com a felicidade, segundo a revisão literária.
No que concerne aos aspectos psicológicos verificaram que ter boas relações sociais, ter uma personalidade extrovertida associada com a autoestima e ter caráter ( auto direcionamento, cooperatividade, autotranscendência) influi na felicidade. O altruísmo, a sublimação, o humor e a antecipação têm um grande papel na manutenção de uma vida plena de alegria e sucesso. E que altos níveis de afectos negativos estão fortemente associados com a psicopatologias de distintas tipologias.
Falando agora do otimismo, constataram que não é o que acontece com a um dado indivíduo que o vai deixar feliz mas sim a forma como ele interpreta esses acontecimentos, sendo que o otimismo é um dos factores que medeia essa interpretação da realidade. O otimismo engloba componentes cognitivos, emocionais e motivacionais.
As pesquisas demonstram que o otimismo leva a uma elevação do bem estar subjetivo e da auto-estima, a um baixo nível de depressão, a um baixo índice de emoções negativas, a um alto índice de satisfação com a vida , a uma boa saúde, a uma menor taxa de mortalidade associada ao cancro e a uma melhor qualidade de vida.
A resiliência, isto é, a capacidade do indivíduo enfrentar e vencer situações adversas, saindo fortalecido e transformado dessas experiências é uma característica da saúde mental , não se relaciona com a inteligência nem classe socioeconómica e requer a interação de recursos provenientes de três níveis: suporte social, habilidades e força interna.
É de salientar que a resiliência pode ser desenvolvida por meio de intervenções educacionais, familiares e socais.
As emoções positivas podem ser a causa ou consequência da felicidade. Há dois tipos de felicidade, segundo Larzen e Diener (1992), a excitada (com sensações de êxito, surpresa, júbilo) e a relaxada (sensações de paz de espírito, serenidade, saciedade). As pessoas mais felizes possuem afectos positivos, mas não de grande intensidade, ou seja, buscar sentimentos de êxtase a novos acontecimentos conduz muito mais à decepção do que a felicidade.
Ter ausência de transtornos mentais não significa que o indivíduo se percepciona como feliz ou com uma existência plena de sentido. Assim, a felicidade difere qualitativamente da ausência de infelicidade.
Concluindo, a maioria dos aspectos da felicidade é do campo psíquico (personalidade, otimismo, resiliência, gratidão, presença de altos índices de emoções positivas), havendo alguns do campo sociocultural como a religiosidade (mediadas por questões emocionais). Deste modo, a felicidade é um fenómeno subjetivo estando mais subordinada a aspectos de temperamento e postura perante a vida do que a factores externos.
Antes de dar por finalizado a temática gostaria de deixar um alerta realizado por Csikszentmihalyi (1990) que chama a nossa atenção para a melhoria das condições de saúde, expectativa de vida, conforto , tecnologia e acesso ao conhecimento mas verificar-se um sentimento nas pessoas das suas vidas estarem sendo desperdiçadas, cheias de tédio, ansiedade e insatisfação. Isto porque os valores contemporâneos da maior parte do mundo ocidental levam à crença que ser feliz é ser mais rico, vestir-se na moda, consumir determinados produtos e ter certa aparência física. Pelo que se verifica que este sistema de valores é ineficaz na busca da felicidade.
Sejamos felizes sem seguir tendências mas sim os nossos corações! =)




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