Psoríase (“A pele apressada”)

     
                               
        
        Hoje, vamos falar da psoríase. Uma doença que é tão marcante física, psicológica e socialmente.

Mas o que é a psoríase?
Segundo a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, (SPDV, 2019), a psoríase, é uma doença inflamatória, ou seja, o sistema imunitário acelera o normal crescimento das células da pele. As áreas mais acometidas tendem a ser os cotovelos, joelhos, couro cabeludo, unhas e a região lombar, todavia pode afetar qualquer parte do corpo. As articulações também podem ser atingidas.
É de salientar que esta patologia não é contagiosa, sendo frequente no adulto jovem, mas pode ocorrer em qualquer idade.

Qual a causa?
O que causa a psoríase não está bem claro, contudo envolve fatores genéticos (história familiar) e ambientais (stress, amigdalite, medicamentos como beta-bloqueadores, anti-maláricos ou alguns anti-inflamatórios, corte na pele, queimadura solar ou tempo frio e seco) (CUF -Hospitais e Clínicas, 2017).

Que tipos existem?
Há vários tipos de psoríase (Associação Portuguesa da Psoríase- PSO Portugal, 2019 e SPDV, 2019):
Ø    Psoríase em placas ou vulgar – onde existe a presença de placas rosadas ou avermelhadas, cobertas por escamas brancas ou acinzentada ou prateada, algumas vezes com prurido (comichão);

Ø    Psoríase gutata – verifica-se manchas pequenas e dispersas no tronco assemelhando-se a gotas;

Ø    Psoríase pustulosa – caracteriza-se por manchas com pús, sendo estas dolorosas e associando-se a mal estar e febre;

Ø    Psoríase inversa – o seu nome se deve ao local do aparecimento das lesões cutâneas (vermelhas e brilhantes, sem descamação) que ocorre nas pregas como as axilas, virilhas e região infra-mamária.

Ø    Psoríase eritrodérmica – neste tipo todo o corpo encontra-se vermelho e com descamação, sem que se consiga individualizar as manchas de psoríase sendo que, quase sempre, é difícil ver pele normal.

Ø    Psoríase ungueal - é frequente e associa-se, normalmente, a outros tipos de psoríase. Pode ocorrer o descolamento parcial do leito da unha (onicólise), espessamento da unha que fica amarela (hiperqueratose subungueal), alterações da cor ou irregularidades (depressões punctiformes).

Ø    Psoríase artropática – neste caso ocorre a inflamação de uma ou mais articulações (artrite), com dor e limitação funcional.




Fig 1: Tipos de psoríase (da esquerda para a direita, em cima e depois em baixo): psoríase vulgar, psoríase eritrodérmica, psoríase gutata, psoríase inversa e psoríase pustular.


Como se trata?
A psoríase não tem cura mas tem tratamento afim de controlar a sintomatologia. Este é individualizado de acordo com o tipo de psoríase, existência de comorbilidades e o seu impacto na qualidade de vida do indivíduo. Deste modo, requer uma vigilância contínua e ajustada do dermatologista (CUF, 2017).
De uma forma geral, existem os tratamentos tópicos, os medicamentos sistémicos e a fototerapia (raios ultravioletas) que devem ser aliados a um estilo de vida saudável (SPDV, 2019).
De acordo com a PSO Portugal (2019) as terapêuticas existentes são:

Terapêuticas tópicas (loções, cremes ou pomadas)
- Emolientes e queratolíticos: o uso frequente controla a descamação, sendo um complemento para os demais tratamentos.
- Corticosteróides tópicos: controlam eficazmente as lesões, contudo não devem ser usados continuadamente devido aos seus efeitos secundários:
- Análogos da vitamina D: atuam na descamação, controlando-a.
-  Outros: Alcatrão, ditranol.

Sol
Também designada de helioterapia, isto é, exposição à luz solar de forma moderada que através do espectro ultravioleta induz a uma melhoria na maioria dos casos. O indivíduo deve contudo evitar as queimaduras solares que pioram a psoríase.

Fototerapia
Nesta terapia a pele é exposta a fontes artificiais de luz ultravioleta (UV). As sessões e as dosagens são estabelecidas pelo médico. Existe a fototerapia UVB (radiação UVB) e a PUVA (com recursos a um agente sensibilizante a radiação UVA - psolareno).


Medicamentos Sistémicos (via oral ou injetável)
A sua utilização é feita nas situações mais graves ou resistentes ao tratamento estabelecido, sendo crucial o acompanhamento médico rigoroso.
- Retinóides: normalizam a proliferação e diferenciação celular da epiderme, contudo há o risco de malformações no feto (uso rigoroso de contracepção).
- Metotrexato e ciclosporina: interferem com os mecanismos inflamatórios e imunitários envolvidos na psoríase.
- Agentes biológicos (Etanercept, Adalimumab, Infliximab): atuam seletivamente no sistema imunitário.



A pessoa com psoríase é muito mais que a doença, tem sonhos e muitos desafios para desenvolver pela sua vida fora. Não se deve, por isto,  resignar à doença nem aos preconceitos sociais, mas sim procurar conviver com ela e educar os demais para a mesma.






Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Masturbação: sim ou não?

A felicidade